terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Lamento

Este ser que agora vos fala,
Sofre de alma calada,
Por usar-se à própria desgraça,
Despindo-se a qualquer fala
No sussurro de um qualquer que dispara
No carro, no quarto, na sala
Pelo simples prazer do corpo nu.

Renata Rabelo
Poetisa


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Cansei de amor

Que este amor não vivido
Que carrego comigo escondido,
Seja esquecido,
Porque de dor, amigo
Eu cansei! 


Renata Rabelo
Poetisa

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Da minha poesia...

No REinventar da minha poesia,
A língua procura a pronuncia do verso.
Nas palavras que se alinham,
O meu texto toma forma,
Ganha sentido.
Sentimento,
Libido.
Amor de irmão,
Amor de amigo.
Que escrito,
Transcrito,
Unido,
Ao papel ríspido,
Velho,
Batido,
Adoça. 

Renata Rabelo
Poetisa

sábado, 7 de setembro de 2013

Meninos

Nos dias azuis de primavera,
É tão alegre observar da janela
Nestas ruas de longas vielas,
Os meninos a correr pelas banguelas,
Atrás de grandes borboletas amarelas,
Tropeçando em pedras
E gargalhando uns dos outros,
Sem pressa.

Renata Rabelo
Poetisa

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Prece de amor


Meu bem,
Peço-te 
Que este amor que tanto guardas em teu peito,
Com efeito, 
Seja eleito
Para sempre meu.

Renata Rabelo
Poetisa

Que viva

Gosto do teu gosto,
do cheiro do teu corpo,
do doce do teu sorriso,
do teu jeito de menino, 
quando atiça o meu juízo.
Gosto de me sentir perdida,
esperando que você me siga,
me ache,
me agrida.
E então, 
aguardo o dia,
em que as tuas mãos se unirão as minhas,
enquanto esperamos que esta poesia
que traço em verso,
em linha,
Viva.

Renata Rabelo
Poetisa

Primavera

Prima-Vera,
chegaste com tuas rosas
e trouxestes contigo 
toda a poesia para a minha prosa.
E agora?

Renata Rabelo
Poestisa

sábado, 31 de agosto de 2013

Eu e a solidão

Decidi-me: 
Não quero mais escrever poesias de amor.
Não quero mais as lágrimas,
Não quero mais a dor.
Agora seremos apenas duas,
A solidão e eu.

Renata Rabelo
Poetisa

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Ergueu-se

Embalada pelo zumbido perturbador do campo,
Após longas horas de uma caminhada que não parecia ter fim,
Adormeceu por entre a relva molhada.
Sonhou tão profundamente, 
Que a sua alma elevou-se
Erguendo consigo o próprio corpo,
Ali desfalecido.


Renata Rabelo
Poetisa

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Simplicidade

Amava o obvio:
Livros, domingos, petiscos, rabiscos e meninos.
Amava araras, praças, massas, taças e garrafas.
Amava a chuva descalça, o mar, as aves, as flores,
Os novos e velhos valores,
Descontroles,
Conversores de dores em amores.  
Apreciava o nada,
O silencio acalentador da madrugada,
O frio que agasalha,
O abraço que acalma,
O sorriso que desperta a alma.
Essa mulher,
Por amar tudo tão descomplicadamente,
Foi confundida à própria Simplicidade.

Renata Rabelo
Poetisa

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Sobre a trama

O doce desejo do chamego teu, moreno
Trouxe-me à cama,
Despiu-me enrolada sobre a trama
E esperou a tua chama queimar a minha.

Renata Rabelo
Poetisa 

domingo, 25 de agosto de 2013

Amor urbano

Via-te nua.
Observava cada esquina do teu corpo,
E cuidadosamente atravessava-o,
Como quem atravessa uma rua.
Quase que involuntariamente
Minhas mãos deslizavam sobre a tua pele,
Como um trilho,
Pronto para o trem.
Nossos olhares fixavam-se
Como dois retrovisores,
E num vai e vem,
Como o dos elevadores,
Nossos tremores nos apossavam,
Misturando-nos como um liquidificador.
No barulho do motor,
O nosso amor se anunciou,
E enfim se concretizou,
Nesta cidade de pedra.

Renata Rabelo
Poetisa

sábado, 24 de agosto de 2013

Triste fim



      Abrindo a boca,
      Falou sem parar
      Até engasgar,
      E sufocar da própria saliva.
      Triste fim para um homem tão bonito. 

       Renata Rabelo 
       Poetisa

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Sobre a amizade

Caro amigo,
Sejamos claros:
Se eu te amo,
E você me ama,
Para que todo esse drama?
Uma vez criado laços,
Que nem nó de sapato amarrado,
O que nos resta é andar,
Para sempre colados,
Presos nesse nosso embaraço.

Renata Rabelo
Poetisa

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Na tua linha

Escrevi na tua linha
O que o meu desejo incita
Ao te ver querida,
Despida
Nesse corpo que é só meu.

Renata Rabelo
Poetisa

Decifrar em palavras

Sei não,
Se essa mão sabe escrever
O que a razão soube dizer,
Sobre o que o coração quis esquecer,
Nesse vai e vem do bem querer.

Renata Rabelo
Poetisa

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Enxergando-se

Pisei sobre a minha ignorância,
Vomitei toda a minha arrogância,
Maltratei a minha ganância,
Falei mal à minha intolerância.
Quando por fim terminei de humilhar-me,
Banhei-me,
Lavei-me,
Limpei-me,
E enxuguei-me,
Para verti-me então de algo novo. 

Renata Rabelo
Poetisa

O que eu sonho

Eu hoje acordei cedinho com vontade de viver mais.
Acordei querendo sorrir ao mundo,
Agradecer ao fundo pela vida que o destino me traz.
Eu hoje quero abraçar os meus amigos, os meus irmãos, os meus pais.
Passar horas rindo e relembrando o passado que não volta mais.
Falar da infância, das brincadeiras, da escola, dos micos, dos amores inocentes,
Dos novos caminhos que vem vindo, que estão logo à frente.
Hoje, eu só quero viver como se não houvesse tristeza, nem desamor.
Como se faltasse injustiça,
Acabasse o horror.
Eu hoje quero poder acreditar na esperança,
E enxergar o mundo com o olhar de criança.
Quero fazer da vida uma grande brincadeira,
Poder sorrir com inocência,
Amar com decência,
E sonhar,
Pois pra ser feliz não é preciso esperar.
Fui!

Renata Rabelo
Poetisa 

Coração inocente

Em poesia,
Em canção,
Na contramão da razão,
Sigo o meu coração
Que em voz,
Em violão,
Declarou-se a paixão,
Inocente!

Renata Rabelo
Poetisa 

Velho palhaço

No teu rosto, as tuas rugas as tintas já não escondem mais.
Ficaste velho.
Perdestes a memória,
Esquecestes a piada,
Repetistes a história.
O seu camarim enferrujou,
E suas vestes desbotadas perderam-se no tempo.
No picadeiro já não entrastes mais...
Saudades dos seus tempos de mocidade que  a muito ficaram para trás.
Agora é só um senhor careca e barrigudo,
Que perdera tudo: a lona, a plateia, os aplausos.
Só não perdeste uma coisa,
O teu riso de palhaço.

Renata Rabelo
Poetisa 

O compositor

Nesta canção
Falarei do meu coração
Que cego de paixão
Chorou,
Por ter tido um amor
Que não se importou
Pelo calor do sabor
Do beijo meu.

Renata Rabelo
Poetisa

Interior

Na escuridão,
Sobre o frio da madrugada,
Vejo a lua cheia esconder-se entre a neblina.
Nesta cidade,
Os únicos sons que se ouvem,
São os uivos de cachorros raivosos
E os cantos dos galos
Pendurados sobre as arvores nos terreiros.
Na esquina,
A fumaça sai da velha chaminé da padaria,
E já se sente aquele cheiro de café coado,
Que se mistura ao de mato molhado de sereno da noite.
O relógio tic-taca três e quarenta e nove,
E debruçado sobre a janela
Permaneço perdido nas velhas lembranças.
Recordações de quem a casa voltou,
Depois que tanto tempo ficou
Longe do aroma do interior,
Esse lugar que lhe criou.

Renata Rabelo
Poetisa

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Tortura

Hoje, sinto-me sufocada.
Por tuas palavras, desmoralizada.
Por teus beijos, nauseada.
Por teu toque, marcada.
Por teu sexo, torturada.
Hoje, sou apenas um ser
jogado ao chão ensanguentado,
Que lamenta o peso
de sofrer calado,
Amedrontado,
pela violência,
Que de tanto machucar o corpo,
Feriu a alma.

Renata Rabelo
Poetisa

terça-feira, 9 de julho de 2013

Amo em silêncio

Caminho pelo frio na escuridão,
Por entre folhas secas
caídas ao chão,
No sofrer da solidão
de quem ama,
Calado.

Renata Rabelo
Poetisa 

quarta-feira, 3 de julho de 2013

O que eu quero

Hoje eu só quero sossego,
No aconchego
Dos cheiros,
No dengo,
De um colo sedento.
Hoje eu quero o gozo do beijo,
No olhar transbordando em ternura,
No amor,
Do amante à procura,
Que não se segura,
Ama.

Renata Rabelo
Poetisa

Feito gata

Quando vi a tua barba
Pela estrada,
Deitei feito gata,
E como quem não quer nada
Arranhei-te com a minha pata,
E me esfreguei,
Dengosa,
Querendo colo.

Renata Rabelo
Poetisa

terça-feira, 2 de julho de 2013

Desse coração...

Hoje me apareceu um menino...
Falava estranhamente,
Em gírias contentes
Que eu mal sabia interpretar.
Ele ria da cara da gente,
E era tirado a valente
Quando queria se mostrar.
Eita menino abusado,
Foi só chegar do meu lado,
Para eu me render.
E num só sorriso,
Do teu riso,
Comecei a perceber...
Que o meu coração agarrado,
Aos teus braços,
Carregado,
Nesse seu compasso,
De menino levado,
Por caso,
Preso ao seu lado,
Apaixonou-se,
Jogado,
Ao passo
Recém dançando,
Do querer. 

Renata Rabelo
Poetisa

Coração menino

Foi-se o tempo,
Ficou-se atento,
E saiu correndo,
De encontro ao vento.
Nesse alento,
Recém-nascido,
Até então desconhecido
Pelo coração bandido,
Desse menino
Que em desatino,
Chorou.

Renata Rabelo
Poetisa

terça-feira, 25 de junho de 2013

Amor velado

Com o corpo jogado
ao chão molhado,
lamentava, 
sem saber,
por não dizer,
que o amor que existia em mim,
existia em você.

Renata Rabelo
Poetisa

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Caminhar

São nas entrelinhas,
Que alinho a minha vida.
É por este caminho,
Que sigo, conduzindo o meu destino.
Darei agora o primeiro passo,
Iniciarei a jornada,
Nesta que é minha,
Que é também a sua estrada.
A cada nova placa,
Uma noticia recém-chegada.
A cada nova paisagem,
Uma vida, recém-começada.
A cada novo encontro,
Um pássaro cantando.
A cada novo perfume,
Uma flor desabrochando.
E eu a cada passo, pensando.
Estou ou não estou pronto?
Continuo seguindo...
Agora já não neste,
Mas por outro caminho.
As placas mudaram,
E os sonhos também,
Já não estou mais sozinho,
Preciso de alguém.
Pelas paisagens que vejo,
Tudo ficou diferente,
Passarinho beija flor,
Flor beija o coração da gente.
E na resposta enfim chegada,
A vida ensinou,
Que pronto estou,
Para um novo trajeto
Que agora iniciou.
Valendo...

Renata Rabelo
Poetisa

terça-feira, 18 de junho de 2013

Marmita

É dentro dessa marmita,
Uma vez esquecida,
Que lhe peço, querida
Que tanto se dedica,
Que guarde a comida tremida
A qual se tornou
A minha triste vida.


Renata Rabelo
Poetisa

Deixar ir

Necessitando-te,
Peço-lhe que fique.
Mas querendo que vá,
Não há o que questionar,
Pois quem não sabe se doar,
O coração entregar
Nunca aprendeu a sonhar,
E sem se importar,
Desconhece o que é amar.


Renata Rabelo
Poetisa

domingo, 16 de junho de 2013

Quando tudo for...














Quando tudo for tormenta,
Serei mansidão.

Quando chegar a tristeza,
Farei diversão.

Quando tudo for ódio,
Darei o perdão.

Quando não restar mais amor,
Plantarei coração.

Renata Rabelo
Poetisa

O toque

Da sua pele negra e
No seu delicioso cheiro
Foi me tocando,
Quando a minha nuca beijando
Arrepiou-me por inteiro.

Renata Rabelo
Poetisa

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Te consumirei, como queres

Ao absorver-te em meus sentidos,
Deixei-te consumir-me por inteira.
Comeu e bebeu do meu corpo,
Da minha pele
E sobre o meu lençol,
Extasiou-se quando pedi ao pé do ouvindo:
- Agrida-me!
Das sensações que preenchia cada quanto do quarto,
E de nossas articulações ao toque,
Arrepiávamos
E arranhávamos um ao outro
Feito gatos selvagens.
Até que na consumação do ato,
Jogamo-nos na cama
E rimos suados
E cansados do clímax enfim chegado.

Renata Rabelo
Poetisa

sábado, 8 de junho de 2013

Quem vai saber?

Neste jogo de bem-querer
Quem sabe dizer
O quanto de amor
Existe em mim
Em você?


Renata Rabelo
poetisa

Entre amigos

Mas porque se calar,
Querer camuflar,
Se sabemos o que há
Sem ao menos revelar?

É estranho eu sei,
Mas não há o que esconder,
O desejo é igual entre eu e você.  

Se iremos nos perder,
Não há como saber
Só o tempo nos dirá
Se for certo o querer.


Renata Rabelo
Poetisa

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Deleite

Tomado pelo desejo,
Agarrou-me depressa pela cintura,
E olhando-me fixamente,
Acariciou o meu rosto com a sua barba
Beijando-me longamente e como nenhum outro.
Entre devaneios,
Na minha loucura
Mordia os seus lábios,
Na tentava de matar a minha fome,
E arranhava as tuas costas
Ouvindo-te delirar em gemidos baixinhos.
Foi assim, que me puxando pelos cabelos
Jogou-me de 4 sobre o sofá dá sala
E encostou com vigor o seu órgão
Dizendo-me palavras atrevidas ao pé do ouvido,
Arrepiando-me por inteira.
Já no ato
Delirávamos entre suor, saliva e lágrimas
E uivávamos como dois lobos insaciáveis.
Até que por fim, gritamos
Do gozo enfim chegado.

Renata Rabelo
poetisa

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Amor divertido

Eu quero um amor bagunçado,
Pendurado,
Virado, de cabeça pra baixo.
Eu quero um amor adocicado,
Largado,
Melado,
Caramelizado,
Roubado,
Achocolatado,
Meio quente,
Meio gelado,
Feito de açúcar.
Com amassos,
Sem atrasos,
Sem demora.
Depressa,
Valendo...

Renata Rabelo
Poetisa

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Meu amor é mansidão


Meu amor é feito passarinho,
Que de galho em galho,
Pouco a pouco
Constrói seu ninho.

Meu amor é vento sem direção,
É ar que bate porta,
Tira poeira do chão.

Meu amor é feito nuvem no céu
É branda,
É clara, feito papel.

Meu amor é cheiro,
É tempero,
É fogo acesso.
Sem tempo,
Sem hora,
Sem pressa,
De mansinho.

Renata Rabelo
Poetisa

domingo, 19 de maio de 2013

Dueto


O teu fogo
Eu apago com minha saliva.
Mato a minha sede
Bebendo-te até o último gole.
Delicio-me de ti,
Apertando as tuas curvas
E mordendo-te por inteira,
Agrado-me de tua carne.
Entrelaço meus dedos em teus fios,
E sem demora
Puxo-te para perto de mim.
Enquanto minha pele e pelos se arrastam em ti,
Sentimos aquele cheiro inconfundível de desejo no quarto,
Tendo o pudor ao chão, junto às nossas roupas.
Agora, cavalgando sobre a minha peça viril,
Agrido-te, sentindo as tuas coxas molhadas.
E então, deglutimos entre gemidos os nossos beijos.
Foi assim que o sabor salgado do suor de sua nuca,
Impregnou em meus lábios,
E também o teu batom que agora mancha meu corpo de prazer.
Sua língua molhada, por fim
Brincou com a minha libido
Enquanto meu sorriso de excitação entregava
O quão próximo do clímax estávamos.

Renata Rabelo e Carlos Pinto
Poetas e Libertinos

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